JPMorgan recomenda investir no Brasil e cita Eleição de 2026 como ‘atrativa’

Para JPMorgan, 'é cedo' para se posicionar, mas proximidade das Eleições de 2026 são 'bônus' ao investir no Brasil; banco tem setor preferido

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O JPMorgan voltou a abrir as portas para investir no Brasil nesta segunda-feira (10) ao recomendar o investimento overweight, ou o equivalente à compra, no País como parte de sua estratégia de mercados emergentes. O banco havia rebaixado a indicação do Brasil para neutro em novembro, mas alguns fatores hoje favorecem alocações no mercado doméstico, segundo analistas do Morgan. Um deles, dizem, é a “atratividade” dos ativos locais com a aproximação das Eleições de 2026.

O possível fim de ciclo de alta de juros antes do esperado pelo mercado financeiro também favorece o investimento no Brasil, de acordo com o JPMorgan. “É um gatilho extremamente importante para ações brasileiras”, dizem os analistas. A preferência da instituição se concentra entre ações de bancos e do setor de utilidades, como energia elétrica e saneamento.

O JPMorgan elevou quatro ações para compra e rebaixou outras três para venda.

Fim de ciclo dos juros pode ser gatilho para investir no Brasil

O banco americano vê uma ‘luz no fim do túnel’ para o fim ciclo de elevação da taxa Selic, com desaceleração da economia brasileira mais aguda que antecipado pelo mercado financeiro. O PIB do último trimestre de 2024 cresceu 0,2% contra um consenso entre analistas de 0,4%.

O dólar perdeu força contra o real nos primeiros três meses de 2025, o que deve trazer um alívio às projeções de inflação feita pelo Banco Central, argumenta o JPMorgan.

Nesse sentido, o Morgan traz dois atrativos bônus para o investidor estrangeiro alocar no Brasil. O primeiro é a possível mudança de regime com a Eleição de 2026, que deve trazer um gatilho de alta “natural” para as ações.

“Achamos que é muito cedo para se posicionar com base no tema”, pondera o JPMorgan sobre usar o pleito de 2026 como tese para investir no Brasil. Mas o banco dá o braço a torcer:

“Mas a narrativa (de mudança de governo) está aí, assim como todas as pesquisas de cenário eleitoral realizadas até o momento alimentam essa narrativa.”

As pesquisas de satisfação de governo vêm sinalizando desaprovação do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o Instituto Datafolha, Lula tem aprovação de somente 24% dos brasileiros, menor nível já atingido pelo petista em seus três mandatos.

O segundo “bônus” para o JPMorgan é a visão mais pessimista do investidor local. “O nível de alocação do investidor doméstico em ações bateu o menor nível de todos os tempos. Enquanto isso, o short selling (operações de aluguel de venda para papéis) está no maior nível desde 2024”.

Banco recomenda compra de 4 ações do setor de energia

Além da mudança de visão sobre o investir no Brasil, o JPMorgan mostrou mais otimismo com o setor de energia elétrica na bolsa de valores. Assim, elevou a recomendação de sete ações de geradoras, transmissoras e distribuidoras para ‘overweight’.

O banco recomendou a compra de:

  1. Alupar (ALUP11)
  2. CPFL (CPFE3)
  3. Equatorial (EQTL3)
  4. Eneva (ENEV3)

A justificativa do Morgan é de que essas quatro empresas oferecem retornos atrativos com o carrego do papel pela exposição à distribuição de energia, e podem se beneficiar com a queda de juros reais. Ou seja, queda de juros ou aumento de inflação.

Além disso, são “boas pagadoras de dividendos” e tem como característica comum o pagamento da maior parte do fluxo de caixa a acionistas no curto prazo, completa o JPMorgan.

Por outro lado, ao considerar investir no Brasil, o banco americano rebaixou três ações do setor para underweight, o que corresponde à venda:

  1. Cemig (CMIG3;CMIG4)
  2. Sanepar (SAPR11)
  3. Auren Energia (AURE3)

O Morgan lista essas ações como rivais de companhias que são preferenciais na tese de investimento do banco. Primeiro, o banco tem predileção pela Copel – cuja recomendação é de compra – contra a Cemig no ramo de distribuição. A Sanepar compete com a Sabesp, que tem a Equatorial como controladora. E, por fim, o banco prefere investir na geradora Eneva no lugar da Auren.

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