Em discurso, Hugo Motta critica alta dos preços no país e a instabilidade econômica sob Lula

A questão da inflação não foi o único sinal ruim para a gestão de Luís Inácio Lula da Silva. O novo presidente da Câmara também saiu em defesa das emendas parlamentares

Em seu primeiro discurso como presidente da Câmara, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) tocou num tema espinhoso para o governo Luiz Inácio Lula da Silva: a alta dos preços no país.

Motta defendeu, neste sábado, que não há nada “pior” para os mais pobres do que “a inflação” e a “instabilidade econômica”.

“Não se pode discutir mais o óbvio. Nada pior para os mais pobres do que a inflação, a falta de estabilidade na economia. E a estabilidade é a resultante de um conjunto conhecido e consensual de medidas de responsabilidade fiscal. Não se apaga fogo com gasolina. Não existe uma nova matriz de combate ao incêndio. Isso é apenas atear fogo com outro nome. E nosso dever é apagá-lo, pelo bem do povo brasileiro. Não há democracia com caos social. Não há estabilidade social com caos econômico”, disse.

A questão da inflação não foi o único sinal ruim para a gestão Lula. O novo presidente da Câmara também saiu em defesa das emendas parlamentares ao argumentar que esse mecanismo ajudou a derrubar o presidencialismo de coalizão, sistema político que foi a principal marca dos dois primeiros governos do PT.

Segundo ele, o estabelecimento das emendas impositivas foi o que fez o Congresso “finalmente se encontrar”.

“Foi nessa época que, aqui nesta Casa, em 2016, por meio da adoção das emendas impositivas que o Parlamento finalmente se encontra com as origens do projeto constitucional. E se afirma. A crise exigia uma nova postura, o fim das relações incestuosas entre Executivo e Legislativo e a afirmação e a independência como resposta para que ambos os poderes governantes – como definiu Ulysses – pudessem se reposicionar e atravessar a tempestade da maior crise desde a redemocratização”, disse.

Ao tocar neste tema, Hugo Motta também mandou um recado ao Supremo Tribunal Federal. Ele defendeu, por exemplo, que o Congresso “jamais avançou em nenhuma prerrogativa, no presente ou no passado presente”. Pelo contrário, na sua avaliação, o Parlamento somente recuperou elas.

“Na verdade, o poder Legislativo recuperou suas prerrogativas, definidas pelos constituintes originários, proclamadas aqui, nesta mesma cadeira e o fez após os tormentosos abalos desde a redemocratização. Esse atraso se deu por um mecanismo político, na verdade um eufemismo de nome pomposo mas de funcionamento que se provaria perverso, o chamado ‘presidencialismo de coalizão'”, argumentou.

Por outro lado, o novo presidente da Câmara fez diversas citações ao ex-deputado Ulysses Guimarães, que foi presidente da Assembleia Nacional Constituinte. Assim como Ulysses, Motta também passou pelo MDB. Após mencionar este assunto, Motta parafraseou Guimarães ao dizer que tem “ódio” e “nojo” da ditadura.

“Naquele momento, na inauguração da nova Constituição, no mesmo célebre discurso em que pronunciou a frase que ainda ecoa nestas galerias, [Ulysses disse]: ‘tenho ódio e nojo à ditadura’. Não existe ditadura com parlamento forte.

O primeiro sinal de todas as ditaduras é minar e solapar todos os parlamentos. Por isso, temos de lutar pela democracia. E não há democracia sem imprensa livre e independente”, acrescentou.

Com informações do Valor Econômico.

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