Nvidia espera verbas do governo para projetos de IA no Brasil

Gigante de tecnologia projeta crescimento focando varejo e telecom no mercado doméstico

Varejistas e operadoras de telecomunicações despontam entre os clientes de chips e softwares da americana Nvidia no Brasil, além de empresas do setor de óleo e gás, enquanto órgãos públicos aguardam a liberação de verba do governo brasileiro para comprarem servidores com as unidades de processamento gráfico (GPUs) da empresa.

“Temos feito muitas reuniões com laboratórios nacionais [de pesquisa] e estamos capacitando pesquisadores que aguardam a verba ser liberada pelo governo”, informou o diretor da divisão “enterprise” da Nvidia para América Latina, Marcio Aguiar, ao Valor.

Instituições como Banco do Brasil, Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) também aguardam a liberação de verbas para adquirir computadores de alto desempenho de fabricantes parceiros da Nvidia com GPUs mais avançadas.

“O país está pronto para alavancar o avanço em IA [inteligência artificial], mas os parceiros [fabricantes de computadores] não conseguem entregar”, explicou o executivo.

A gigante americana de componentes e softwares que dão suporte à corrida da inteligência artificial generativa superou as projeções de analistas financeiros nos resultados do quarto trimestre do ano fiscal de 2025, divulgados na noite desta quarta-feira (26).

Lucro da Nvidia

O lucro líquido da Nvidia no trimestre encerrado em 31 de janeiro somou US$ 22,1 bilhões, alta de 79,8%, em base anual. A receita nos três meses encerrados em 31 de janeiro foi de US$ 39,3 bilhões, avanço de 77,9% ante igual período do ano passado.

A projeção de receita de US$ 43 bilhões (com margem de 2% para mais ou para menos) divulgada hoje pela Nvidia para o primeiro trimestre fiscal de 2026, superou os US$ 42 bilhões estimados por Wall Street.

A estimativa pode suavizar as preocupações do mercado sobre o desenvolvimento da startup chinesa DeepSeek, que apresentou um modelo de IA generativa similar ao chatGPT, da OpenAI, por uma fração do investimento.

Aguiar sinaliza que a proposta da DeepSeek não surpreendeu a Nvidia e até ajudou a empresa a argumentar com empresas interessadas em suas GPUs.

“Sabemos que nem todas as empresas necessitam de grandes cargas de informação para processar aplicações de IA no início de seus projetos e podem investir aos poucos”, disse Aguiar. “A DeepSeek mostrou que é possível fazer um ‘mix’ de vários modelos de LLMs [grandes modelos de linguagem, que são a base de treinamento de aplicações de IA] e criaram um novo. Isso faz faz parte da evolução dos LLMs”.

*Com informações do Valor Econômico

Leia a seguir

Pular para a barra de ferramentas