Queda do dólar ajuda a aliviar preços da alimentação, mas inflação ainda segue como desafio, aponta Ibre

Prévia da inflação mostrou alta de 1,23% em fevereiro pressionada por mensalidades escolares; alimentos fora de casa desaceleraram

A prévia da inflação no país mostrou variação de preços abaixo da esperada em fevereiro. A boa notícia veio dos preços da alimentação, principalmente a fora de casa, que subiram menos que o esperado, mas as mensalidades escolares, que costumam influenciar o indicador em fevereiro, vieram com reajustes maiores que a expectativa.

O quadro traz sinal de alerta, porque mostra alta em preços rígidos relacionados a serviços livres, um “termômetro da atividade, que indica o tamanho do desafio em relação à inflação”.

A avaliação é de André Braz, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) – considerado a prévia da inflação oficial no país – subiu 1,23% em fevereiro, após alta de 0,11% em janeiro, informou esta manhã o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em fevereiro de 2024, o IPCA-15 tinha subido 0,78%.

Os preços na alimentação fora de casa, diz Braz, sobem muito em período de férias e de Carnaval, porque é um período em que as pessoas viajam e costumam demandar mais serviços. Apesar da volta às aulas em fevereiro, o mês este ano ainda é de preparativo para o Carnaval, em março.

Além disso, as temperaturas estão elevadas, o que estimula as pessoas a sair de casa. “A boa notícia é que esses preços não avançaram tanto. A notícia ruim está na mensalidade escolar, que subiu um pouco mais do que no ano passado.”

Além disso, aponta, houve a influência dos combustíveis, com destaque para etanol e gasolina, e a recomposição na energia elétrica. Em janeiro, o efeito do bônus de Itaipu gerou um crédito nas contas de luz de consumidores residenciais.

Como o bônus fez a inflação de janeiro despencar, observa, houve recuperação em fevereiro, com variação grande de preços, embora menor que a esperada no IPCA-15. A taxa de fevereiro é a maior do IPCA-15 desde 2016, quando tinha sido de 1,42%.

Segundo os dados do IBGE, a alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,93% em janeiro para 0,56% em fevereiro. A média da alta de educação ficou em 4,78%, mas o aumento foi superior para os subitens ligados diretamente às mensalidades escolares – o grupo também inclui gastos com cursos técnicos, de idioma, papelaria e livros, por exemplo. A alta de preços na pré-escola foi de 7,1% em fevereiro de 2025, enquanto no ensino fundamental esse aumento chegou a 7,5%. No ensino médio, a variação foi de 7,26%.

“A inflação ainda está pressionando, dá sinais de que ainda temos que ter cuidado com ela. A política monetária tem que seguir austera mesmo, embora haja uma notícia menos ruim na alimentação, que veio com preços não tão salgados quanto se imaginava.”

Segundo Braz, a alimentação pode continuar a dar boas notícias, em razão do câmbio menos depreciado e a expectativa de boa safra em 2025. “Se o câmbio se mantiver bem comportado, em torno de dólar a R$ 5,70 ou abaixo desse patamar, ajudará muito a conter a inflação”, diz. O dólar mais alto explica, prejudica a inflação porque estimula a exportação, o que reduz a oferta no mercado doméstico. Além disso, o dólar mais alto torna os importados mais caros em reais.

Já os preços mais salgados nas mensalidades escolares, diz, mostram que a inflação está se espalhando e ficando mais resiliente. “Quando o preço desse serviço sobe, não volta. As pessoas assinam um contrato para os 12 meses seguintes e acabou. É diferente de uma passagem aérea ou de um restaurante, cujo preço pode eventualmente cair.”

*Com informações do Valor Econômico

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