Haddad explica pedido de Lula por ‘equilíbrio fiscal’; ministro ganha elogios de André Esteves em evento do BTG

Ministro da Fazenda afirmou que 'sem crescimento econômico, não vamos fazer ajuste'

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira que “o mercado hoje está muito mais tenso” do que em outros momentos, por causa de um contexto geopolítico “muito mais desafiador”.

“As pessoas estão mais com dedo no gatilho”, disse no evento CEO Conference 2025, promovido pelo BTG Pactual, afirmando que o dedo no gatilho nesse caso está “dentro da regra do jogo”.

De acordo com Haddad, “a situação é mais tensa” do que em anos anteriores.

Haddad elogiado por André Esteves

Na abertura do evento, André, Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, fez elogios a Haddad.

“É um ministro que originalmente não é da área, mas capturou bem as alavancas que fazem o sucesso do ministro da Fazenda”, disse, destacando que Haddad dá importância a temas como equilíbrio fiscal, que permitem juros estruturalmente menores, e “bom ambiente de negócios”.

Esteves destacou a necessidade de “apoiar” o ministro na “batalha pelo bom senso econômico”, mas disse que “ainda dá para seguir” adianta na busca pelo equilíbrio fiscal.

Divergências com Lula?

Haddad afirmou que a convergência dentro do governo federal em relação à agenda defendida pela equipe econômica aumentou desde o começo deste mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Se compararmos com dois anos atrás, vejo muito mais convergência do que divergência com quem está sentado na mesa com o presidente”, disse no evento CEO Conference 2025.

Haddad afirmou que “é meio normal o debate que enfrento dentro do governo”, já que esse “debate espelha a sociedade”.

O ministro ainda disse que “não é verdade” que ele e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, estão “envolvidos na reforma ministerial”.

“Nunca conversei com o presidente sobre reforma ministerial”, disse, afirmando que não sugeriu nomes a Lula, “nem para exonerar e nem para admitir”. “É prerrogativa dele.”

Em outro momento, Haddad afirmou que falava “como brasileiro que não é candidato a nada no ano que vem”.

Agenda fiscal de Haddad

Simultaneamente, no evento, o ministro da Fazenda afirmou que a “agenda fiscal não pode perder ímpeto”.

“Turbulência política e fricções acontecem, mas o papel dos homens sérios é fazer o país andar”, disse no evento CEO Conference 2025, promovido pelo BTG Pactual.

Ele afirmou que vem recebendo apoio a essa agenda vindo dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Segundo Haddad, a equipe econômica está “trabalhando desde [o fim de] 2022 na mesma agenda”, que tem como base o equilíbrio fiscal e reformas microeconômicas.

“Nós não vamos melhorar o país se não reconhecermos o que foi feito”, disse. “Temos que combater desigualdade, ineficiência, [travas ao] crédito e segurança jurídica.”

Grau de investimento

Finalmente, Haddad afirmou que o Brasil não alcançará o grau de investimento concedido pelas agências de classificação de risco “se não mirarmos os números certos do Orçamento”.

Ele mencionou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) como uma das fontes de despesa que “você não vai conseguir mudar”.

“Tem despesa que já está contratada pela Constituição”, disse nesta terça-feira no evento CEO Conference 2025. “Não adianta inventar. Precisamos ter clareza do que é possível fazer.”

Haddad disse que “o desafio da equipe econômica é grande”. Por precisar “combater esse patrimonialismo para as contas fecharem de maneira correta”.

De acordo com ele, atingir o equilíbrio fiscal sem que o ajuste seja feito sobre a população mais pobre é a “obsessão” do presidente Lula.

“Ele (Lula) não fala para mim: não faça superávit, não faça equilíbrio fiscal”, disse o ministro. “O comando que recebo é para distribuir o ajuste de maneira socialmente justa.”

O titular do Ministério da Fazenda ainda afirmou que, “sem crescimento econômico, não vamos fazer ajuste” das contas públicas. Bem como que o arcabouço fiscal “é o caminho da sustentabilidade de longo prazo do Brasil”.

Com informações do Valor Econômico

Leia a seguir

Pular para a barra de ferramentas