Gabriel Galípolo compara dominância fiscal a ‘fantasmas’ e diz que reagir seria um equívoco

Presidente do BC disse que há uma posição majoritária no mercado de que a política monetária vai produzir a esperada desaceleração da economia

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto: Diogo Zacarias/MF
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto: Diogo Zacarias/MF

Em evento organizado pela Fiesp nesta sexta-feira (14), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que confia na política monetária como forma de reduzir a atividade econômica e, por consequência, a inflação. Além disso, relacionou a aventada possibilidade de dominância fiscal por parte do mercado a “fantasmas”.

“Seria um equívoco em política monetária ser preventivo com fantasmas, (reagir a) algo que não está colocado”, avalia.

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Nesse sentido, o presidente do BC disse ainda que há uma posição majoritária no mercado de que a política monetária vai produzir a esperada desaceleração da economia.

Ele avalia que o mercado já dá mostras de confiar na política de juros. As projeções colocam a economia brasileira em um processo de desaceleração em 2025.

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O último Boletim Focus do próprio BC mostra que a perspectiva de inflação caiu de 2,06% para 2,03% em 2025. No mesmo período, a inflação deve subir 5,58% contra os 5,51% projetados anteriormente pelo mesmo relatório. Ou seja, um crescimento menor e uma inflação ainda acima da meta estipulada.

Galípolo confia que governo manterá agenda fiscal mesmo com desaceleração

Contudo, o presidente do BC ressalta que há dúvidas no mercado de como pode reagir o governo a partir da desaceleração da economia. Nesse sentido, o mercado teme que o governo possa acelerar uma agenda de estímulos para retomar o crescimento econômico de olho na popularidade.

Nesse sentido, Galípolo diz confiar que o governo Lula terá postura de respeito à política fiscal.

“Eu tenho visto o governo e o ministro (Fernando) Haddad (ministro da Fazenda) reforçarem o compromisso com a questão fiscal”, avalia.

Investidor pode vir a optar por real, afirma presidente do BC

Numa comparação entre México e Brasil com relação à política protecionista de Trump, o presidente do Banco Central disse que há inversão das perspectivas de anos atrás.

Assim, a avaliação do investidor durante a pandemia e nos anos seguintes era de que o México se beneficiaria da relação com os Estados Unidos. Isso porque a maior economia do mundo buscava reduzir sua dependência da China após problemas na cadeia de suprimentos.

Agora, com a mudança de ventos geopolíticos, o Brasil pode ter efeito menos deletério que o país da América do Norte se de fato houver aumento de tarifas.

“No entendimento do mercado, a tarifação prejudicaria mais o México que o Brasil. Mas o ideal era que não houvesse qualquer guerra comercial”, avaliou o presidente da autoridade monetária.

Nesse sentido, pode haver um movimento dos investidores internacionais de “compra de reais e ficar vendido em peso mexicano, que se imagina, possa sofrer mais (com as tarifações)”.

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