Em carta, Kinea traça paralelo entre desconfiança com Lula e livro ‘O Alquimista’, de Paulo Coelho

Material, adiantado à Inteligência Financeira, trata das difíceis decisões que se apresentam a Lula

O atual mau humor do mercado financeiro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou destaque na última carta da gestora Kinea, referente a outubro.

O material, adiantado à Inteligência Financeira, trata das difíceis decisões que se apresentam a Lula. O presidente, segundo a asset, precisa equilibrar a busca pela reeleição com a pauta fiscalista imposta pelos agentes financeiros.

“Não parece interessar ao mercado se o arcabouço (fiscal) será cumprido. Mas sim se, em algum momento, a trajetória de crescimento da dívida brasileira será revertida”, destaca a gestora.

“Logicamente, a deterioração dos principais ativos de risco no país não é um caminho sustentável para uma possível reeleição”, aponta.

O texto destaca que, em 30 dias, o real sofreu desvalorização de 4,2%. A bolsa caiu 2,8%. Bem como os juros de dois anos registraram alta de 0,55 ponto percentual (p.p.)

Carta da Kinea e Paulo Coelho

Assim, na carta, a Kinea faz uma analogia à obra “O Alquimista”, best seller de Paulo Coelho. O livro narra a trajetória do protagonista Santiago em busca de um tesouro escondido nas pirâmides do Egito.

“Na jornada de Santiago, ele aprende que a busca exige paciência e atenção”, escreve o carioca Ruy Alves, gestor de multimercados da asset.

Em junho, a Inteligência Financeira contou a história de Ruy Alves, o homem por trás das cartas da Kinea, que administra quase R$ 133 bilhões. Confira o texto aqui.

Entre o populismo e o fiscalista

Agora, já no final do ano, a Kinea mostra-se pessimista em relação aos ativos de risco. A asset entende ser improvável que Lula siga no caminho da redução de gastos.

A gestora aponta que Lula, na busca pela reeleição, trabalha pela implementação da isenção do Imposto de Renda daqueles que ganham menos que cinco mil reais.

“Caso implementada, a medida isentaria cerca de 85% da população do país do pagamento de imposto de renda e custaria cerca de R$ 40 bilhões aos cofres públicos anualmente”, afirma a gestora.

O raciocínio que se segue, então, é que, do ponto de vista político, a isenção daria enorme popularidade ao presidente. Isso aumentaria as chances de reeleição de Lula. Mas, do ponto de vista fiscal, “a Lei de Responsabilidade Fiscal exige que a medida tenha contrapartida em aumento de receita”.

Em carta, Kinea vê riscos para bolsa

Para a Kinea, uma vez que persista no plano da isenção do imposto de renda, o governo deverá buscar fontes de compensação.

“Das opções possíveis, duas assustam mais: a possibilidade que não haverá compensação suficiente, ou que esse encargo recaia sobre as empresas, com revisão do JCP e lucros sobre dividendos”.

Por considerar pequena a chance de um ajuste via despesas obrigatórias, Kinea entende que o caminho de busca de recursos junto às empresas é, assim, fator de risco.

“No momento, permanecemos vendidos na bolsa, pela elevação dos juros e pela possibilidade do setor corporativo brasileiro ser chamado para pagar parte da conta acima apresentada”, destaca a carta da asset.

Dólar deve cair

Com relação ao câmbio, a gestora acredita que o atual rali da moeda americana frente ao real tem seus dias contados.

Segundo a Kinea, a trajetória de alta da taxa básicas de juros Selic, frente o movimento de normalização monetário nos estados, deve favorecer a divisa local.

“Permanecemos comprados no Real pelo crescente diferencial de juros que o Brasil deve apresentar ao longo dos próximos meses”, conclui o documento.

Leia a seguir

Pular para a barra de ferramentas