BC vê 100% de chance de IPCA estourar teto da meta em 2021

Para o BC, o IPCA vai ficar em 8,5% neste ano, acima da meta de 5,25% ao ano
Pontos-chave
  • Estimativa mediana para a inflação deste ano subiu de 5,82% para 8,35%

  • Autoridade monetária considera que a pressão sobre os preços deve continuar se revelando intensa e disseminada

  • Já para 2022, a visão é de um cenário mais equilibrado

O Banco Central (BC) calcula que não há qualquer chance de o IPCA neste ano furar o piso da meta de inflação (2,25%) e que há 100% de chance de estourar o teto da meta (5,25%) neste ano. A visão é de um cenário mais equilibrado para 2022, com 11% de chance de furar o piso da meta (2%) e 17% de estourar o teto (5%).

Para os dois anos seguintes, o BC já vê mais riscos de o IPCA furar o piso do que de estourar o teto. Em 2023, a probabilidade de ficar abaixo do limite mínimo de 1,75% é calculada em 15% e de superar a faixa mais alta (4,75%), de 13%. Já para 2024, as estimativas são de 17% para furar o piso (1,5%) e de 11% para estourar o teto (4,5%).

Inflação em 2024

O BC projeta inflação em 2,8% em 2024, no seu cenário básico que considera a pesquisa Focus para trajetória dos juros e a evolução da taxa de câmbio com base na paridade do poder de compra (PPC). O número está abaixo da meta de 3% para aquele ano, embora esteja muito distante e a política monetária ainda não tenha alcance sobre ele.

Para os anos anteriores, que já haviam sido divulgados na ata da última reunião do Copom, a autoridade reiterou suas estimativas de IPCA em 8,5% para 2021 (meta descumprida e que demanda uma carta de explicações do presidente do BC, Roberto Campos Neto, para o governo), 3,7% em 2022 (ligeiramente acima do centro da meta, 3,5%) e 3,2% em 2023, no alvo de 3,25% para o ano.

Sobre 2021, a autoridade monetária projeta inflação de 1,98% no trimestre entre setembro e novembro, chegando no acumulado em 12 meses em novembro a 9,22%. Para o mês de setembro, a previsão é que o IPCA feche em 1,11%, recuando para 0,45% em outubro e 0,41% em novembro.

“A pressão sobre os preços deve continuar se revelando intensa e disseminada. O choque sobre preços de bens industriais não deve se dissipar no curto prazo, como sugerem indicadores recentes de preços ao produtor e a continuidade dos gargalos nas cadeias de produção que afetam alguns segmentos. Ao mesmo tempo, os preços de serviços devem continuar

Inflação ao consumidor

Para o BC, “a elevada inflação ao consumidor continua se revelando persistente”. “O IPCA variou 2,38% no trimestre encerrado em agosto. Trata-se do quarto trimestre consecutivo em que a inflação registrou patamar superior ao compatível com o limite superior do intervalo da meta e superou as expectativas que se tinha no início de cada trimestre”, no alvo de 3,25% para o ano.

Segundo a autoridade monetária, “o patamar elevado da inflação revela-se disseminado”. “As altas de preços apresentam maior intensidade em componentes voláteis pouco associados à inflação subjacente, mas mesmo os núcleos de inflação registram patamar elevado”, disse.

Levando em conta uma métrica dessazonalizada e anualizada, o BC calcula que “a média dos núcleos alcançou 8,13% no trimestre encerrado em agosto”. Na mesma métrica, o IPCA está em 11,31%. Em ambos os casos, o patamar é “incompatível com o cumprimento da meta” de inflação.

De acordo com o BC, “a principal contribuição para o patamar elevado da inflação no trimestre veio dos preços administrados”. Já “os preços de serviços seguem mostrando alta mais contida que os demais, mas houve nítida aceleração no trimestre”, alcançando elevação de 1,29% no trimestre encerrado em agosto.

“É esperado que a maior mobilidade propicie aumento dos preços de serviços que se encontram em patamar deprimido”, disse. “O aumento recente da inflação também deve contribuir para a elevação dos preços no segmento, em parte por seu efeito sobre salários nominais e em parte por mecanismos de inércia e indexação.”

Além disso, “houve aumento significativo nos preços de consertos de equipamentos domésticos e veículos, o que pode estar diretamente ligado à alta nos preços de peças para reparos”.

Por fim, o BC destacou que as projeções dos analistas do setor privado, no Boletim Focus, mostram que a revisão na estimativa mediana para a inflação deste ano, de 5,82% no último RTI para 8,35% neste, “foi disseminada entre os componentes, com maior destaque para energia elétrica, gasolina e bens industriais”. Já a projeção para o ano que vem, no

“O aumento decorre majoritariamente da mudança nas projeções para serviços e bens industriais”, disse. Para 2023 e 2024, as projeções estão nas metas.

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