A pista do resultado da subsidiária da JBS (JBSS3) nos EUA sobre os dividendos

Pilgrim's, subsidiária de carne aviária nos EUA, enfrenta queda nas vendas que pode prejudicar dividendos da JBS

Empresas citadas na reportagem:

O resultado da Pilgrim’s Pride, subsidiária de proteína de frango da JBS (JBSS3) nos Estados Unidos, traz um viés de baixa para os dividendos da JBS no quarto trimestre, segundo analistas. O balanço da Piligrim’s gerou sentimentos mistos nos investidores. Somado à queda do dólar em janeiro e fevereiro, o balanço levou as ações do frigorífico da família Batista a caírem 12% na bolsa de valores em 2025 até esta segunda-feira (24) contra uma alta de 5,7% do Ibovespa.

O resultado da Pilgrim’s Pride pode indicar dividendos menores da JBS. Isso porque existe um risco de baixa na receita devido à queda nas vendas de frango nos Estados Unidos. Como efeito, a redução impactaria negativamente a geração de caixa da companhia brasileira. O BTG afirma que a JBS tem como se defender desse risco pela diversidade do negócio.

Dividendos da JBS (JBSS3): queda de margem na Pilgrim’s é risco

A JBS (JBSS3) aprovou, em 2024, o pagamento de dividendos equivalentes a cerca de 8% do valor das ações da companhia no Ibovespa. Neste ano, a previsão do BTG Pactual fica em torno de 2,5% em dividend yield.

Analistas reforçam que existe uma perspectiva de piora de margens nos resultados da JBS para o quarto trimestre. Após os resultados da Pilgrim’s, o Santander revisou o lucro operacional do frigorífico para baixo em 5%, para R$ 4,9 bilhões.

O banco frisa que os “eventos sazonais” pioraram o lucro da divisão da JBS nos Estados Unidos.

No quarto trimestre, o faturamento líquido da Pilgrim’s Pride caiu 3,5%. Apesar da queda se limitar a um dígito, “acabou gerando algumas preocupações com o ano de 2025”, diz Khalil de Lima, sócio da Reach Capital.

A margem de EBIT (Lucro antes de juros e impostos) também contraiu mais do que o esperado. “Isso preocupa pela rapidez na acomodação da margem”, levantou o analista.

De acordo com Gustavo Gomes, head de renda variável da Acqua Vero, as vendas da JBS nos EUA podem cair, o que deve afetar na veia o dinheiro em caixa da empresa.

“Se existir uma geração e caixa menor, a JBS (JBSS3) pode considerar uma revisão na política de dividendos, com redução nos pagamentos”, prossegue.

Ao mesmo tempo, o setor de proteína de frango pode incorrer em riscos de margens mais baixas em 2025. Esta é a avaliação de João Vitor Cardoso, analista da Renova Invest

Geração de caixa da JBS deve aliviar riscos da Pilgrim’s

Por outro lado, a JBS (JBSS3) faz previsões de geração de caixa altas para 2025, “mais do que capazes de sustentar dividendos mais altos”, diz Lima. A Reach Capital espera o pagamento de 15% do fluxo de caixa livre da empresa neste ano.

Nesse sentido, Lima diz que o resultado da Pilgrim’s não deve motivar uma alteração na previsão de dividendos da JBS (JBSS3).

Concorda com ele o analista João Vitor, da Renova Invest. Mas por outro motivo: para ele, a operação da JBS pode se recuperar da queda de margem pelo resultado de outras empresas que pertencem ao grupo. “É uma proteção natural contra a desaceleração do ciclo avícola”, explica Cardoso.

Já o Bank of America estima o pagamento de 14% do fluxo de caixa livre, que deve chegar a de R$ 9,6 bilhões em 2025.

O BTG Pactual, por sua vez, destaca que o mercado aviário nos EUA passa por uma crise de oferta. A escassez vem de um ciclo maior para aves, já que a mortalidade do animal está em alta. Uma diminuição de mortes de aves e eclosão de ovos pode ajudar a baixar preços do frango e de ovos.

É daí que vem o risco com margens de frigoríficos avícolas nos EUA.

“Mesmo que as taxas de mortalidade e eclosão permaneçam nos níveis de 2024, a oferta do Brasil e dos EUA ainda aumentaria 3,8% e 1,9% em 2025, respectivamente.”

Para o Bank of America, apesar de resultados mais fracos no quarto trimestre, a política de pagamento sobre 45% do lucro em caixa da JBS deve render 8,4% em dividend yield até o final do ano. Esta é a estimativa do banco para a companhia no ano

O BofA elencou 5 motivos do porquê pode ser uma boa hora para comprar as ações do frigorífico.

Leia a seguir

Pular para a barra de ferramentas