Reajuste do diesel pode elevar dividendos da Petrobras em 2025, dizem analistas

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O reajuste de preços do litro do diesel realizado pela Petrobras (PETR4) na semana passada é um sinal verde para dividendos da estatal em 2025. O mercado interpreta a correção de preço de combustíveis como positiva para a governança da companhia, assim como para a receita de produtos refinados a partir de óleo bruto.
O incremento do dividendo da Petrobras deve se aproximar de R$ 1 bilhão, de acordo com os bancos Safra e analistas do mercado financeiro. Além disso, a mudança é favorável para a indicação de a estatal pagar um yield por ação acima da média de estimativas do mercado, avalia o JPMorgan.
Por que o reajuste de diesel favorece dividendos da Petrobras
Na última semana, a Petrobras comunicou o aumento de preço de R$ 0,22 por litro de diesel vendido a distribuidores de combustíveis. A alta se traduz em uma elevação de 6,3% frente ao preço praticado pela Petrobras anteriormente.
O movimento de subir o preço do combustível era esperado pelo mercado, à medida em que a Petrobras precisava compensar a defasagem dos preços praticados no Brasil em relação ao mercado internacional.
A reação, contudo, se estendeu para além do efeito positivo nas ações da companhia. A queda de defasagem de preços do diesel de 17% para 6%, segundo dados da Abicom (Associação Brasileira de Importadores de Combustível) deve elevar a receita da Petrobras com o refino de combustíveis.
E, por consequência, o dividendos sobre as ações da Petrobras (PETR4).
O Banco Safra calcula que a margem de dividendos pagos por ações da Petrobras deve subir 1,2 ponto percentual graças ao reajuste de diesel. Ante um cenário-base de 14% de dividend yield em 2025, analistas veem um salto potencial para 15,2%, portanto.
Já o analista da Levante Corp., João Abdouni, espera aumento marginal de 1% na receita da Petrobras via reajuste. Hoje, a margem da estatal com o faturamento sobre o custo da operação de refino é de 51%.
Assim, o aumento para dividendos “também deve ser marginal”, diz Abdouni. “Esperamos um dividendo de R$ 1,15 no trimestre ou de R$ 4,60 no ano”, completa. Com o reajuste, o acréscimo por ação da Petrobras seria de R$ 0,10.
E, claro, o aumento de dividendos requer necessariamente uma variação positiva no caixa, conforme explica Fábio Lemos, analista da Fatorial Investimentos. No caso da Petrobras, ele prevê reforço de R$ 1,5 bilhão em caixa graças ao aumento dos combustíveis.
“Isso traduz num possível incremento de US$ 776 milhões em dividendos”, diz o especialista.
Reajuste traz boa notícia para dividendo, diz JPMorgan
Além dos números em si, o banco JPMorgan reforçou a recomendação de compra das ações da Petrobras com base no “alinhamento dos interesses do governo com os de acionistas minoritários”.
Por enquanto, o Morgan entende que a Petrobras (PETR4) pode, assim, pagar dividendos para além da expectativa do mercado. Isso porque o governo requer mais esforços da estatal para cumprir com a meta de déficit primário zero em 2025.
Assim, a mudança no humor do mercado em relação à Petrobras passa pela via de que a defasagem de preços não deve “voltar a esticar tanto”, afirma Lemos.
Além disso, o JPMorgan espera uma geração de caixa “sólida” em meio a preços mais baixos de petróleo.
“Enquanto modelamos o pagamento mínimo de dividendos, acreditamos que o repasse deve superar o cenário-base”, conclui o banco.
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