Carrefour Brasil (CRFB3) reverte prejuízo e tem lucro de R$ 1,16 bilhão no 4º tri

Resultado no período foi impactado por ganhos tributários

Empresas citadas na reportagem:

O grupo Carrefour no Brasil (CRFB3) registrou um lucro líquido de R$ 1,16 bilhão no quarto trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 565 milhões apresentado um ano antes. No mesmo período, as receitas da companhia subiram 5,7% em um ano, para R$ 31,3 bilhões.

A linha de Imposto de Renda e Contribuição Social da companhia apresentou ganho de R$ 777 milhões no quarto trimestre de 2024, ante a despesa de R$ 43 milhões apresentada um ano antes.

O resultado foi impactado por R$ 1 bilhão do reconhecimento de ativos tributários diferidos de perdas acumuladas do Grupo BIG e R$ 68 milhões em razão do anuncio de distribuição de juros sobre o capital próprio em dezembro de 2024.

“É importante mencionar que, em junho, iniciamos a amortização do ágio da fusão das operações do Grupo BIG, com R$ 69 milhões de impacto caixa no trimestre”, informou a companhia em comunicado.

O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), somou R$ 1,48 bilhão de outubro a dezembro, alta de 96,4% na comparação anual. No critério ajustado, o Ebitda foi de R$ 1,92 bilhão, uma melhora de 2,2%.

OPA do Carrefour

No início da semana passada, o Carrefour Brasil confirmou que seu controlador, o grupo varejista francês Carrefour, encaminhou proposta ao conselho de administração visando recomprar as ações em circulação e fechamento de capital.

A potencial transação seria implementada por meio da incorporação da totalidade das ações do Carrefour Brasil em uma sociedade brasileira detida integralmente pelo Carrefour, para fins de conversão da empresa em subsidiária integral, com atribuição de ações resgatáveis aos acionistas. Na operação, o Carrefour poderá para deixar a B3.

Ainda durante o quarto trimestre, o Carrefou Brasil reportou um resultado financeiro líquido negativo em R$ 623 milhões, melhora de 17,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O investimento do grupo no trimestre totalizou R$ 601 milhões, redução de 23,6% em relação ao mesmo trimestre de 2003.

A dívida líquida atingiu R$ 3,22 bilhões ao final de dezembro, ou R$ 15,22 bilhões incluindo arrendamento e desconto de recebíveis, com aumento de R$ 240 milhões na comparação anual.

Por dentro do lucro do Carrefour e o que esperar agora

O grupo Carrefour fez um alerta em sua demonstração de resultados, e informou que as linhas de outras despesas operacionais devem continuar a ser impactadas por gastos relacionados à venda ou fechamento de supermercados nos próximos meses. E isso ainda deve afetar os números do primeiro e segundo trimestres de 2025, momento em que o processo deve ser finalizado, afirmou no material ao mercado.

Apesar de 63% menor frente a 2023, foram R$ 438 milhões em outras despesas operacionais de outubro a dezembro.

A respeito desse ponto, o presidente do grupo, Stéphane Maquaire, é um pouco mais otimista e vê espaço para um “primeiro trimestre de 2025 mais ou menos limpo” desses efeitos de fechamentos, e um segundo trimestre “totalmente limpo”, afirmou, em conversa com jornalistas hoje.

O grupo Carrefour conseguiu lucrar no quarto trimestre do ano passado, com resultado final em R$ 1,18 bilhão, após perda de R$ 518 milhões um ano antes, acima do projetado pelo mercado.

Isso ocorreu apesar de o crescimento na receita ter vindo em linha ou ligeiramente abaixo do esperado por parte dos analistas. O lucro líquido dos controladores foi de R$ 1,16 bilhão.

De outubro a dezembro, a receita bruta avançou 5,5% para R$ 32,8 bilhões, e no acumulado de 2024, cresceu 4,4%, em linha com a inflação medida pelo IPCA no período.

A reestruturação nos negócios de supermercados e hipermercados, com fechamento de lojas e conversões, afetou as vendas, algo que o mercado já projetava.

De qualquer forma, em linhas gerais, esse cenário conseguiu se traduzir em ganho na linha final por algumas razões. Um ano atrás, a empresa teve R$ 1,2 bilhão em “impairment” de ativos e baixa de despesas, e no quarto trimestre de 2024, esse efeito foi 50% menor.

O ganho de Imposto de Renda e Contribuição Social de R$ 777 milhões de outubro a dezembro teve efeito relevante, frente a uma despesa de R$ 43 milhões um ano antes. Foi algo impactado, em parte, por cerca de R$ 1 bilhão em reconhecimento de ativos tributários diferidos de perdas acumuladas do Grupo BIG, adquirido em 2021.

Também houve um certo ganho de alavancagem operacional, após um trabalho de queda de despesas que levou a maior diluição dos custos no período. A participação das despesas nas vendas caiu de 13,4% para 12,9% entre o quarto trimestre de 2023 e de 2024.

Paralelo a isso, as despesas financeiras foram 18% menores, apesar de o grupo ter gasto mais com juros pela antecipação de recebíveis com cartão de crédito.

Sobre vendas e resultado final, Maquaire, disse que vê uma melhora importante nas vendas das lojas mais antigas (com mais de 12 meses de operação), e que a rede vem crescendo acima do mercado para esse indicador — algo que não ocorreu em 2023.

As vendas dessas lojas avançaram 6% no consolidado do quarto trimestre — um ano atrás, recuava 2,2% — puxado por Atacadão, que cresceu 9,6%. Esse índice da rede de atacarejo ficou acima das projeções de analistas.

A empresa ainda informou que aguardará os trâmites para um possível fechamento de capital do grupo, caso a proposta seja aprovada pelos acionistas, como já informado pelos controladores franceses. E diz que esse processo só deve ser finalizado, se avançar, em maio, segundo o diretor financeiro, Eric Alencar. Para ele, os ganhos com a saída da empresa da bolsa devem vir de uma maior simplificação e redução de custos, além de maior foco do comando na operação.

CRFB3: dividendos e JCP

Simultaneamente, o Carrefour Brasil anunciou que seu conselho de administração recomendou para deliberação em assembleia o pagamento de R$ 1,66 milhão em dividendos complementares aos seus acionistas.

Somados aos juros sob capital próprios de R$ 200 milhões pagos em janeiro, a empresa diz que terá distribuído R$ 0,095 por ação, o equivalente a 8,47% do lucro líquido ajustado referente ao exercício social de 2024.

A data em que as ações da companhia passarão a ser negociadas “ex-dividendos” e a efetuação do pagamento será informada oportunamente.

Com informações do Valor Econômico

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