IRB (IRBR3): gastos administrativos saltam e assustam mercado; ação despenca na bolsa

Aumento de 91% em gastos com administração levam ações da resseguradora IRB (IRBR3) a tombarem no Ibovespa; mercado vê fim de reestruturação mais próximo

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As ações da IRB Brasil Resseguradora (IRBR3) derreteram mais de 18% no pregão do Ibovespa nesta quarta-feira (26). Os gastos administrativos quase dobraram no quarto trimestre em relação ao mesmo período de 2023, o que surpreendeu negativamente agentes do mercado financeiro.

Despesas com pessoal saltaram 91% no mesmo período, ficando bem acima das estimativas dos analistas.

Então, o lucro antes de impostos da resseguradora tiveram queda de 34% na base de comparação, o que mostra uma aceleração preocupante de despesas dentro da empresa, avalia o banco americano Goldman Sachs.

IRB (IRBR3) derrete no Ibovespa por freio em crescimento

A reação do mercado ao cortar o valor das ações da IRB Brasil vem de uma expectativa de crescimento mais desafiador no setor de resseguros.

A emissão de prêmios totalizou R$ 1,5 bilhões no quarto trimestre, o equivalente a uma queda de 30% no volume em relação a 2023. O valor também desapontou o mercado financeiro, ficando 4% abaixo das estimativas do banco Safra.

A maior contribuição veio de emissões de resseguros patrimoniais, com R$ 805,1 milhões gerados.

A margem de emissão de prêmios de resseguros permaneceu estável na base anual, com crescimento tímido de 0,4%. A falta de expansão em margens com emissões traz um ponto negativo ao resultado, dizem analistas do Safra.

Outro má notícia foi a “surpresa negativa” com despesas administrativas, conforme descreve Daniel Vaz, analista do banco.

O retorno sobre ativos da IRB (IRBR3), por sua vez, ficou estável entre 2023 e 2024, considerando o quarto trimestre. O Goldman nota que as ações hoje enfrentam pressão por terem subido 29% no Ibovespa no ano. O índice se valorizou em 5%.

“Esperamos uma resposta negativa do mercado devido aos resultados antes de impostos abaixo do esperado, principalmente após o forte desempenho das ações”, disse o banco americano.

Reestruturação está no fim: o que vem em seguida?

Analistas veem o fim iminente da reestruturação da IRB (IRBR3). A Genial Investimentos nota que, apesar de margens estáveis em prêmios, a companhia registrou o breakeven operacional no trimestre “demonstrando maior eficiência na gestão de riscos e despesas”.

O maior desafio da IRB após seu processo de recuperação, de acordo com a Genial, envolve a retomada de crescimento da carteira de emissão de resseguros no Brasil e no exterior. Sobretudo, “sem comprometer a margem”, avalia a corretora.

“Acreditamos que a IRB seguirá em recuperação ao longo de 2025, mas com rentabilidade ainda abaixo dos níveis ideais”, analisou Eduardo Nishio, head de research da Genial, em relatório.

Ao mesmo tempo em que manteve recomendação de venda para o papel, o Banco Safra tem uma visão mais otimista para o 2025 da IRB (IRBR3). E reconhece que pode rever as projeções para a ação.

“Ela (resseguradora) parece bem preparada para entrar em 2025 com melhora da lucratividade das operações essenciais, apesar do desafio de crescer receita”, avaliou o banco.

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