Ações da Eletrobras (ELET6; ELET3): analistas veem gatilho para valorização e dividendos

Eletrobras e União chegaram a acordo sobre tão aguardado poder de voto na companhia

Empresas citadas na reportagem:

A Eletrobras (ELET3; ELET6) e a União concluíram o acordo que põe fim à disputa judicial relacionada aos direitos de voto no conselho de administração após a privatização da companhia.

Após as negociações, foi mantida a limitação de 10% no poder de voto para qualquer acionista. O governo federal terá o direito de indicar três dos dez membros do conselho de administração, desde que cumpram os requisitos de elegibilidade estabelecidos no estatuto da companhia.

Esse direito será mantido enquanto o governo detiver mais de 30% das ações com direito a voto.

Com o fim do imbróglio, as ações dispararam na bolsa nesta sexta-feira. E agora o mercado se debruça sobre as perspectivas para novas altas, além do potencial de pagamentos de dividendos no futuro.

“Julgamos o resultado da arbitragem positivo para a Eletrobras e acreditamos que tem potencial de destravar valor para a maior companhia elétrica do país”, afirmam os analistas da Ativa Investimentos, em nota.

Pelo acordo, a Eletrobras deixará de ter a obrigação de aportar recursos para a construção da usina nuclear de Angra 3. As partes interessadas solicitarão ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que estruture uma nova modelagem para o projeto de conclusão do empreendimento.

Assim, deve haver impacto positivo no endividamento da Eletrobras. Ademais, os analistas da Ativa acreditam que acordo dá a direção da companhia mais tempo para discutir com o governo os próximos passos envolvendo a Eletronuclear. Hoje, a Eletrobras detém 35% da Eletronuclear.

Por ora, o acordo de investimentos com a ENBPar, estatal controladora da Eletronuclear, ficará suspenso.

‘Em suma, os benefícios superam em muito o ônus da necessidade de desembolso existente’, escrevem os analistas da Ativa.

Eletrobras pode pagar dividendos mais robustos?

Segundo o Goldman Sachs, a revisão do compromisso da Eletrobras de concluir o projeto Angra 3 é um dos principais catalisadores de valorização da empresa para o mercado.

“As notícias (sobre o acordo) são positivas”, destacam os analistas do Goldman Sachs, em nota.

“No futuro, acreditamos que o foco do mercado estará na perspectiva de pagamentos de dividendos”, afirmam os analistas do Goldman Sachs.

Embora acreditem que os dividendos “dificilmente aumentarão materialmente no curto prazo”, o atual acordo impacta positivamente a capacidade da Eletrobras de ter retornos mais atrativos para o acionista.

Isso porque o atual acordo com a União dá à companhia folga de capital para melhorar sua rede de transmissão. Bem como mais tempo para trabalhar na venda de ativos e melhorar sua eficiência operacional.

Tanto Ativa quanto o Goldman Sachs têm recomendação de compra para ação da Eletrobras. O preço alvo é de R$ 59 (ELET6) e R$ 54 (ELET3).

Principais pontos do acordo

União e a Eletrobras fecharam acordo para pôr fim ao processo que o governo Lula impetrou no STF em 2023 contestando a privatização da empresa.

Conheça os principais pontos do acordo:

  • A União poderá indicar 3 entre 10 membros do conselho de administração.

O mercado avalia que o movimento era esperado e o importante para Eletrobras é que isto não mudará o seu status quo de companhia de capital disperso. Sendo assim, seus acionistas podem dispor de, no máximo, 10% de poder de voto em assembleias de acionistas.

  • A União poderá indicar 1 entre os 5 membros do conselho fiscal

Da mesma forma, mercado vê como neutro impacto da nova regra.

  • As vagas no conselho serão reduzidas se a porção da União cair abaixo de 30%

Os analistas do Goldman Sachs e da Ativa veem a cláusula como esperada e de impacto neutro.

  • Eletronuclear

O acordo de investimentos com Enbpar (estatal constituída em 2022 para manter sob o controle da União a operação de usinas nucleares e outras funções atribuídas à Eletrobras antes de sua privatização) fica suspenso.

A Eletrobras possui uma fatia na Eletronuclear.

Pelo acordo recém firmado, a União vai ter que auxiliar a Eletrobras em um processo de desinvestimento de sua participação na Eletronuclear.

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