Na corrida dos bancões no Brasil, Bradesco fica para trás, avaliam Goldman Sachs e JPMorgan

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Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4) optaram por caminhos diferentes para retomar o lucro, segundo o Goldman Sachs. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (12), o banco americano eleva a recomendação de ações do Santander no Brasil de venda para neutro e adota caminho oposto para o Bradesco: rebaixou o papel para venda.
O Goldman escolheu elevar a recomendação do Santander Brasil com base na consistência do banco ao expandir o retorno sobre o patrimônio líquido acima do custo e pela “recuperação nos resultados de quarto trimestre”
Por outro lado, no caso do Bradesco pesou sobre a avaliação do Goldman o fato de que o banco brasileiro deve ter recuperação do lucro “mais lenta”.
Goldman rebaixa Bradesco (BBDC4) mesmo com desconto
O banco americano reconhece que hoje as ações do Bradesco (BBDC4) estão com “desconto profundo” até mesmo em relação aos pares listados no Ibovespa. Segundo o Goldman, o papel “negocia hoje a um preço próximo da mínima”.
Mesmo assim, o Goldman decidiu cortar a recomendação do Bradesco porque acredita que o retorno deve permanecer abaixo do custo sobre patrimônio líquido até 2027.
“Enquanto o Bradesco continua a negociar próximo das mínimas e com profundo desconto em relação aos pares, a gradual volta ao lucro deve tomar mais tempo do que inicialmente esperávamos”, argumenta o time de analistas comandados por Tito Labarta.
A alta de juros e a queda do PIB (Produto Interno Bruto) deve tornar essa recuperação ainda mais desafiadora. “Particularmente para um banco que vê necessidade de crescer sua carteira de crédito para recuperar o lucro”, diz o Goldman.
“Ao mesmo tempo, precisa manter uma taxa média de qualidade de capital mais baixa para conquistar a fatia do mercado de clientes de alta renda”, afirmam os analistas do Goldman.
Vale ressaltar que o Bradesco (BBDC4) entregou ROE (retorno sobre patrimônio líquido) abaixo de Santander e Itaú. E também decepcionou as estimativas do Goldman, reportando taxa de 12,7% contra quase 13% previsto pelo banco americano.
Assim, é esperado que o Bradesco fique para trás na disputa contra o Santander Brasil.
O JPMorgan sinalizou o mesmo. Após o Bradesco divulgar seu guidance (previsões) para 2025, o Morgan rebaixou a previsão de lucro líquido do banco deste ano em 3%.
O guidance contém estimativas da instituição envolvendo receitas, despesas e margem financeira em 2025.
Para o JPMorgan, o Bradesco (BBDC4) deve lucrar R$ 22 bilhões em 2025.
Satander (SANB11) em alta: banco tem vantagem no longo prazo
O Santander Brasil, por outro lado, é um banco que disparou após resultados do quarto trimestre. E o impulso por esse vento de popa deve continuar no longo prazo, avalia o Goldman.
Nos cálculos dos analistas do banco, o ROE do Santander (SANB11) deve se manter estável em 17% entre 2025 e 2026 após o aumento significativo entre 2023 e 2024 de 5 pontos percentuais. Enquanto isso, a margem líquida de juros do Santander deve aumentar, o que fortalece o lucro da operação.
O Goldman também aumentou a previsão de lucro líquido do Santander para 2027 em 5%, sinalizando efeito de carrego positivo.
Já O Morgan Stanley tem recomendação de outperform para Santander (SANB11), o que equivale à compra. Para as ações do Bradesco (BBDC4), a indicação é neutra.
Ao mesmo tempo em que reduziu a estimativa de lucro para o Santander em 2025 na ordem de 1,5%, o JPMorgan “se mantém otimista sobre o impulso operacional e recuperação de lucro” que ocorre no banco dirigido pelo executivo Mário Leão.
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