Tesla (TSLA34): queda nas vendas derruba ações e mercado vê risco na atuação política de Musk

As ações da Tesla (TSLA34) caem forte nesta terça-feira (25) à medida que os investidores digerem os dados mais recentes de vendas. Há ainda uma incerteza se a queda se deve a flutuações aleatórias ou algo mais sério. Há pouco, os papéis caíam 8,6% em Nova York.
Assim, é muito cedo para dizer, mas os dados não são bons. Em janeiro, a Tesla vendeu cerca de 42 mil carros nos Estados Unidos, de acordo com números monitorados pelo analista da Freedom Capital Markets Mike Ward. Isso representa uma queda de cerca de 13% em relação ao ano anterior.
As vendas totais de veículos elétricos a bateria, ou BEV, nos EUA cresceram cerca de 15% em relação ao ano anterior. Porém, a participação de BEV da Tesla no mercado dos EUA caiu de cerca de 59% em janeiro de 2024 para cerca de 45% em janeiro de 2025.
O cenário na Europa parece mais terrível. A Tesla vendeu 9.945 carros, queda de 45% em relação ao ano anterior, de acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis. No geral, as vendas de BEV aumentaram 37% em relação ao ano anterior.
Na China, as vendas de janeiro da Tesla caíram cerca de 15% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros.
Trimestre desafiador
Todas essas quedas se somam a um trimestre desafiador. Wall Street espera atualmente que as entregas do primeiro trimestre da Tesla fiquem entre 420 mil e 430 mil. No início do ano, esse número estava mais próximo de 470 mil, de acordo com a FactSet.
A Tesla entregou cerca de 387 mil carros no primeiro trimestre de 2024, então Wall Street ainda espera crescimento. Isso pode ser agressivo.
Existem vários culpados potenciais para a desaceleração. Há sazonalidade regular. Janeiro é normalmente o mês mais baixo do ano para vendas de carros novos. Um janeiro ruim não significa um trimestre ruim ou um ano ruim.
A Tesla também está em meio a uma mudança de modelo com uma nova versão de seu carro mais popular — o Modelo Y — recentemente à venda. Modelos atualizados podem interromper o fluxo de vendas enquanto os compradores esperam pelo veículo mais novo.
Musk: atividade política afasta compradores?
Além disso, há o diretor-presidente, Elon Musk, e suas atividades cada vez mais políticas, que correm o risco de afastar os compradores tradicionais da Tesla — americanos de esquerda ou europeus que buscam se tornar mais sustentáveis.
O diretor-presidente da Gerber Kawasaki, Ross Gerber, acredita que “a marca Tesla está quebrada”. O cofundador do Future Fund Active ETF, Gary Black, no entanto, não acredita que nenhum dano à marca seja permanente.
“Os produtos superiores da Tesla, o novo veículo mais acessível, que acredito que será um novo fator de forma e expandirá o mercado total endereçável da Tesla, e a promessa de autonomia não supervisionada venderá mais Teslas”, escreveu Black no X no fim de semana.
Os recursos de direção autônoma podem ajudar a vender mais Teslas e impulsionar as ações. A Tesla planeja lançar um serviço de robotaxi autônomo nos EUA ainda este ano. De acordo com a Bloomberg, a Tesla também está prestes a lançar seu recurso de assistência ao motorista (FSD) na China.
Os investidores sabiam que o lançamento do FSD chinês estava chegando, mas não sabiam exatamente quando.
*Com informações do Valor Econômico
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