Ações da Auren (AURE3) caem com resultado; marcação à mercado em energia melhora lucro

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As ações da Auren Energia (AURE3) caíram 2,70% no Ibovespa nesta terça-feira (25) após a companhia divulgar resultados financeiros apurados no quarto trimestre mais fracos na visão de analistas do mercado financeiro. A geradora de energia elétrica, que se fundiu a AES Brasil em maio de 2024, registrou prejuízo líquido de R$ 363,5 milhões no período e reverteu o lucro de R$ 220,2 milhões registrados em igual período em 2023.
No trimestre, a empresa foi beneficiada com a marcação à mercado nos preços de contratos de geração de energia. O efeito de defasagem dos contratos gerou receita de R$ 321 milhões. Para o Banco Safra, o lucro operacional veio 13% abaixo das estimativas do mercado. Do lado de geração, a geração abaixo do potencial em usinas de energia solar e eólica também machucou as operações, diz o Citi.
Operação da Auren (AURE3) decepciona com queda em geração
O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Auren no quarto trimestre foi a grande decepção do mercado financeiro sobre os números. A companhia divulgou nesta terça-feira (25) o primeiro resultado desde que aprovou a fusão com a geradora AES Brasil, em maio do ano passado.
O lucro operacional da Auren (AURE3) caiu de R$ 929 milhões no quarto trimestre de 2023 para R$ 389 milhões no mesmo período de 2024. Assim, a queda corresponde a 58% na base anual. Nas contas do Safra, o resultado “veio significativamente abaixo” das projeções do banco.
E enquanto o banco esperava um lucro líquido de R$ 118 milhões, viu a geradora reverter o ganho em prejuízo.
“A decepção sobre expectativas pode ser explicada pelo aumento acima do esperado de despesas financeira e impacto negativo de marcação à mercado em contratos de energia”, explicam analistas do Safra.
Por outro lado, a redução de energia gerada no trimestre abaixo da disponibilidade em rede preocupa o Citi. Em relatório, o banco aponta que a Auren baixou a emissão de 10% de energia potencial vinda de usinas de energia solar e 19% com origem eólica.
‘Alavancagem ainda preocupa’, diz Citi
Com a incorporação dos negócios da AES, a alavancagem financeira da Auren (AURE3) saltou em 12 meses. Hoje, a companhia tem dívidas de R$ 19 bilhões, o que equivale a 5,7 vezes seu Ebitda ajstado, ante um múltiplo de 3,4 vezes no quarto trimestre de 2023.
Tanto Citi quanto Itaú BBA dizem que a alavancagem é um problema para a empresa. A novidade é de que o processo pode ser mais lento que o esperado, avaliam os bancos.
Analistas do Citi apontam que a alavancagem deve reduzir neste ano. Mas existem despesas no caminho, como o pagamento de R$ 962 milhões ligado a obrigações contratuais pela diferença entre energia gerada para contratada.
“Vemos as ações da Auren (AURE3) negociando com taxa de retorno interna de 13,5% para acionistas. Contudo, queda de geração potencial e alavancagem esticada preocupam, principalmente com o cenário macroeconômico incerto”, disse o Citi.
Já o Itaú BBA afirma que a geradora “tem um ponto de partida difícil” para se desalavancar.
“Mesmo que reconheçamos o processo de desalavancagem da Auren e a capacidade de criar sinergias (com a AES), esperamos que o processo deve demorar mais tempo”, diz o banco.
A alavancagem só deve baixar para um patamar próximo aos níveis de 2023 em 3 anos, prevê o Itaú. O banco mantém a recomendação neutra para as ações da Auren, mas espera um upside de 72% em relação à contação atual.
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