Como manter o controle financeiro com as finanças digitalizadas?
Em um mundo onde tudo é virtual e na palma da mão, usar o bom e velho papel moeda parece algo fora de moda – afinal, quem hoje tem troco para uma nota de R$ 100?
O dinheiro digital, seja através do uso do cartão de débito, crédito ou do Pix nos trouxe muita comodidade para fazer pagamentos. Mas é necessário falar sobre como ter controle financeiro nesse cenário.
Trago um exemplo. Tente comprar um item de R$ 300 pagando em dinheiro vivo. Imagine que você tenha na sua carteira 6 notas de R$ 50,00 para pagar essa compra. Se nunca fez um pagamento de maior valor em dinheiro vivo, ou se já faz tempo que não o faz, pode sentir a “perda” do dinheiro de forma diferente na hora de contar as notas.
Toda criança da minha geração que hoje já tem pouco mais de 40 anos teve um cofrinho na infância. Lá eram guardadas as notas e moedas que ganhávamos dos pais, tios, padrinhos e avós.
Era um ritual muito gostoso esse de ganhar o dinheiro, ficar juntando e torcendo para que não coubesse mais, porque quando isso ocorria, tínhamos a “desculpa perfeita” para usá-lo.
Com esse dinheiro que juntávamos definíamos objetivos, quase todos voltados ao consumo imediato de algum brinquedo tão desejado.
Lembro como se fosse hoje. Era um duplo sentimento, onde o primeiro era de alegria, pois estava indo até a loja comprar aquilo que desejava depois de tanto esforço poupando dinheiro. Posteriormente, vinha a tristeza em ver tantas notas e moeda economizadas com muito esforço sendo usadas.
Nessa hora, eu sabia que aquele ciclo de juntar dinheiro se iniciaria novamente. Talvez na minha época, se esse pagamento fosse feito com cartão ou pix, essa dor talvez nem existisse.
O primeiro cartão de crédito emitido por um banco foi criado por John Biggins, do Flatbush National Bank, no Brooklyn, em Nova York, em 1946, sendo lançado em 1950. Os clientes do banco podiam usar este cartão em uma variedade de estabelecimentos dentro do estado de Nova York, ficando o banco responsável pela liquidação dos pagamentos futuros.
De lá para cá, os meios de pagamento só evoluíram e o dinheiro físico foi perdendo cada vez mais espaço. Poucas pessoas andam hoje com notas de dinheiro na carteira.
O que trago é uma reflexão. Aquele bem que citei há pouco de R$ 300 manterá o valor se for pago em dinheiro, cartão ou pix. O valor do bem não muda, mas a depender da forma como pagamos, podemos ter percepções diferentes e, assim, comprometer o planejamento financeiro.
Estudando esse comportamento, descobri que ele tem nome. Se chama “dor do pagamento”. Isso acontece porque quem paga no crédito, por exemplo, pode não ter a real sensação de ver o valor saindo de suas mãos. Isso só é percebido quando a fatura chega.
Percebe que o dinheiro digital pode tendenciar a um maior consumo?
Para corroborar com isso, um estudo publicado em 2024 chamado Less cash, more splash? A meta-analysis on the cashless effect das universidades de Adelaide e de Melbourne, na Austrália, descobriu que deixar de pagar com dinheiro físico nos faz gastar mais.
Segundo Lachlan Schomburgk, especialista em marketing da Universidade de Adelaide, “se nada é fisicamente manipulado, é fácil perder a noção de quanto é gasto”.
E como evitar essa sensação?
A receita é bem simples. Manter o controle financeiro, ter objetivos bem definidos de curto, médio e longo prazo e manter um controle de gastos com cartão de crédito, por exemplo, estipulando limites que garantam a preservação da sua saúde financeira, evitando assim gastar mais do que o seu orçamento do mês permite.
Defina prioridades, faça uma lista de compras, torne claros os objetivos financeiros e o limite de gastos.
As armadilhas estão por aí e temos que refletir cada vez mais sobre os nossos hábitos financeiros e suportar as tentações que sempre aparecem. Como disse em outro artigo, se possível adie essa compra por um período – assim, você consegue refletir melhor se vale ou não fazê-la.
Se quiser conhecer o artigo que citei, clique aqui.
Planeje-se, pois o melhor dia para começar é hoje!
Texto escrito por Vinicius Panizza para íon. Para ler outros conteúdos, acesse ou baixe o app agora mesmo.
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